Brasília, 30/08/2012 -
Com profunda indignação, a Defensoria Pública da União denuncia o tratamento
ilegal dispensado pela administração do Complexo Penitenciário de Segurança
Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes-PB1, e por policiais militares, aos membros
do Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH-PB) na última
terça-feira (28).
Ao fim de uma difícil
diligência da CEDH no presídio, em que foram apuradas denúncias de tortura e
violações de direitos humanos dos internos, os Conselheiros, entre eles a
defensora pública federal Lídia Nóbrega, receberam voz de prisão e foram
encaminhados para uma sala da penitenciária, sendo mantidas por aproximadamente
3 horas sob custódia.
De acordo com Relatório da
CEDH, o grupo tirou fotografias que denunciam a gravidade da situação: 80
presos em uma cela, mantidos nus, sem colchões, em um chão molhado. Vários
detentos apresentavam marcas de violência no corpo. Ainda segundo o documento,
os funcionários do presídio envolvidos no episódio se recusavam reiteradamente
a se identificar e a informar quem era o responsável pela situação.
O constrangimento ilegal só
chegou ao fim após a chegada ao presídio de representantes do Ministério
Público Estadual e da Ordem dos Advogados do Brasil, sob protestos do diretor
do presídio e de membros da Polícia Militar da Paraíba.
Cabe ressaltar que o acesso a
unidades prisionais para diligência, vistorias, exames e inspeção é uma das
atribuições do CEDH previstas na Lei 5.551/92.
Diante dos fatos expostos, a
Defensoria Pública da União, por seu defensor público-geral federal, vem a
público externar sua mais profunda indignação com os fatos narrados, porque
inaceitáveis sob todos os pontos de vista, e, sem prejuízo de representação
criminal junto à Polícia Federal e o Ministério Público Federal, bem como
pedido de providências ao Excelentíssimo Governador do Estado da Paraíba,
conclama as autoridades competentes a adotarem de imediato os procedimentos
necessários para a mais ampla apuração do caso, inclusive com o liminar
afastamento dos agentes públicos responsáveis pela sequência alarmante de
abusos.
O comportamento adotado no
interior do Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de
Abrantes-PB1, seja em relação aos internos que cumprem suas penas, seja
relativamente aos membros da CEDH-PB que realizavam seus trabalhos, é
incompatível com o Estado Democrático de Direito e com os acordos
internacionais de proteção aos direitos humanos dos quais o Brasil é
signatário.
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